Sobre “escutar de tudo um pouco”

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Confesso: sempre fiquei intrigado com pessoas que, questionadas sobre seu gosto musical, dizem simplesmente que “escutam de tudo um pouco”. Não que eu duvide que exista quem seja capaz de ser absolutamente eclético, apreciando as particularidades e ritmos dos diferentes gêneros que a humanidade criou e continua a criar — o “problema” é que, ao tentar me aprofundar nesses casos, quase sempre me deparo com a situação do indivíduo que simplesmente escuta “o que está no rádio” e mal sabe citar um artista ou canção específica.

Talvez eu esteja sendo muito chato (ok, eu sei, eu estou sendo muito chato), mas tenho dificuldades em lidar com quem lida com a questão dessa maneira. Ao menos em minha opinião, o tipo de música que uma pessoa costuma escutar se relaciona de maneira integral com sua personalidade e, em alguns casos, com a maneira como ela enxerga o mundo.

Quando ouço alguém dizer que “escutar o que está no rádio”, automaticamente associo a declaração ao fato de que, bem, nem todo mundo está preparado para assumir uma identidade própria ou simplesmente nunca parou para pensar sobre o assunto. Ok, eu sei, é um papo extremamente “serious business” para algo que deveria se tratar simplesmente de prazer ou diversão, mas acredito que, sem definir ao menos alguns parâmetros claros daquilo que condiz com seu gosto, você acaba perdendo a oportunidade de se aprofundar mais em um universo extremamente rico.

Talvez em grande parte essa minha aversão às pessoas que “escutam de tudo um pouco” tenha  a ver com minha tendência de sempre procurar músicas novas — que obrigatoriamente exige a fase “ei, fulano, olhaí a banda alternativa de folk alternativo da qual o primo do baterista daquela banda participou durante seis meses”. Quando me deparo com alguém que não dá indícios de gostar de folk alternativo produzido na década de 1970 em um porão australiano, esse ciclo se quebra e gera frustração (é, sou egoísta, fazer o que).

Enfim, se você chegou até esse ponto do texto e está se questionando a que ponto essa divagação aleatória quer chegar, eu respondo: a lugar nenhum. Como muito do conteúdo encontrado na internet, este pequeno texto se trata apenas da exposição de alguns pensamentos que surgiram ao acaso.

Se há algum valor nestas pequenas divagações, é o fato de que elas marcam uma espécie retomada do Disco Arranhado, espaço que, entre idas e vindas, mantenho há alguns anos. Então sinta-se em casa, não se incomode com a poeira e aguarde: esse espaço deve ganhar uma “nova vida” durante algum tempo — isso é, ao menos até eu decidir entrar em outro hiato indefinido graças a essa coisa maravilhosa (e estranha) que chamamos de vida.

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